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sábado, 3 de julho de 2010

Vamos Cuidar do Planeta - CONFINT 2010

Muito lindo esse vídeo da Conferência Internacional Infanto-Juvenil – Vamos Cuidar do Planeta (CONFINT 2010).

Motiva, emociona e me faz pensar que (talvez) seja possível sonhar com um mundo melhor... mais justo, humano e ambientalmente saudável!

Ahô!


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Vamos cuidar de Angola, vamos cuidar do mundo!

Ciranda de voz, pela vez da luta ambiental em Angola! Agir e pensar local e global... "tamo junto". Awerê!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A Questão do Haití e a Paz Perpétua de Kant

Estou trabalhando em um texto na tentativa de fazer um paralelo entre Kant e Rousseau, tendo como pontos principais a questão da Guerra, do estado e da História. Ao me deparar com a situação do Haiti, lendo o tratado kantiano À Paz Perpétua não tive como não remeter essa triste realidade ás sábias palavras do filósofo alemão.

* * *

O Haiti virou notícia. Não, não houve plena emancipação social e política daquele país... Não encontraram a solução para o seu título mais lembrado: o de país mais pobre do mundo. Não, um haitiano não ganhou o prêmio de melhor artista, intelectual, pacifista ou político do mundo. O Haiti foi ao chão. Ao chão em forma de escombros depois de um terremoto. Morreram haitianos (muitos), brasileiros, americanos, etc. Um país inteiro devastado pela força da natureza e a falta de estrutura mínima do Estado, concretamente falando.

Sabemos que o Haiti é um país conhecido por ser o mais pobre do mundo. Sabemos também que o povo haitiano vem sofrendo há anos com a situação política e social de seu país. Existe um estado de segregação no Haiti há bastante tempo, onde, esse povo tão guerreiro, que historicamente se libertou das correntes que os privavam de liberdade, nos últimos anos viu-se submetido á militarização e a governos que não atendem ás necessidades reais estruturais, em todos os sentidos, do território haitiano.

Muito se ouviu falar sobre o ocorrido com o Haiti na última semana. E muitas foram as causas apontadas para o ocorrido: a fúria da natureza como resultado da ação humana contra ela; a falta de estrutura, que fez com que as conseqüências do terremoto fossem mais desastrosas, etc. Vários podem ser os motivos que levaram ao que estamos assistindo todos os dias na televisão, lendo nos jornais, ouvindo nos rádios, nas ruas... Enfim. Podemos dizer que todos os motivos são válidos, no entanto, existe algo nas entrelinhas do ocorrido que também precisa ser ressaltado, e é justamente neste ponto que recorro ao legado kantiano em À Paz Perpétua, no Suplemento Primeiro sobre a garantia da paz perpétua:

"O que subministra esta garantia é tão-só a grande artista, a Natureza (natura daedala rerum), de cujo curso mecânico transparece com evidência uma finalidade: através da discórdia dos homens, fazer surgir a harmonia, mesmo contra a sua vontade. Chama-se, por isso, também destino, enquanto compulsão de uma causa necessária dos efeitos segundo leis que nos são desconhecidas, e Providência" (p. 23)*


Para Kant em termos de História Universal o homem é o fim último da natureza. Tudo o que acontece tem uma determinação, e esta é fruto da livre vontade intrínseca a natureza humana. Para ele os homens são, por natureza, maus, porém, eles mesmos desejam ser bons, mesmo que seja para viver comodamente. Então, transitando nessa ambigüidade presente em cada individuo, a humanidade caminha para a Paz Perpétua, e mesmo as guerras estão a serviço dela.

O que vemos no Haiti é justamente essa ambigüidade. O caos da violência e da miséria em convívio com a solidariedade e a compaixão. É um retrato pleno do que Kant expõe em sua obra. Sendo assim, a luz do pensador de Königsberg, espero que a História da Humanidade, Universal e cosmopolita aprenda com o Haiti e pelos “haitis”, e que ao superarmos essa fenda que acomete o mundo possamos olhar com maior admiração para a história desse povo em especifico e possamos respeitá-los, não em função do desastre ocorrido, mas por sermos também co-participes dos haitianos enquanto espécie.

Somos o Haiti! "O Haití, é aqui"...



* A edição consultada para a citação encontra-se on-line no endereço: http://www.lusosofia.net/textos/kant_immanuel_paz_perpetua.pdf.

Ediane Soares

terça-feira, 8 de julho de 2008

Natureza e Criação

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Natureza e Criação: resgate do "Paraíso" em plena crise ambiental.


Somos água. Somos tempo. Somos átomo.
Somos a terra. Somos os povos. Somos a vida.
Somos a dívida para com o futuro.
Somos o futuro que já nasceu endividado.

Por Ediane Soares

Segundo alguns pensadores antigos, como Aristóteles, a vida é um todo hierarquizado, onde a natureza é o conjunto dos fragmentos que a compõe. Nessa visão hierárquica da natureza, estaria o ser humano na escala mais próxima ao absoluto (motor imóvel ou causa primeira, para o Filósofo) por ser dotado de racionalidade. É certo que essa visão já foi ha muito ultrapassada. Não só porque carece de fundamentos consistentes, mas porque os fatos nos fazem perceber que se trata de algo bem mais complexo.

Durante muito tempo a visão que se foi difundindo da relação natureza-homem era de subserviência dos recursos naturais para o desfrute dos 'seres racionais'. Essa práxis¹ gerou uma relação de violência que acarretou no que chamamos hoje de 'crise ambiental'.

A 'necessidade metafísica'², atribuída aos seres humanos, pode ser o ponto de partida para uma visão cosmológica da natureza. Essa necessidade expressa-se historicamente de várias formas, uma delas, e diria até, uma das mais significativas delas é a religiosidade ou espiritualidade. Essa capacidade de projetar, idealizar, pensar em algo além-vida, marca profundamente a subjetividade das pessoas, logo também o trato com a natureza.

Algumas religiões, especificamente as cristãs, têm como ponto de partida para a sua teologia o Gênesis, que é a narrativa bíblica da criação do mundo. Essa narrativa coloca o homem como sendo parte da criação, porém, sendo responsável por cultivar e guardar o que foi criado por Deus. Pela lógica, naturalmente, seria esse o grande papel dado por Deus aos seres humanos: compartilhar a vida com a natureza.

"Javé Deus tomou o homem
e o colocou no jardim do Éden,
para que o cultivasse e guardasse"
(Gn 2, 15)

O momento em que estamos situados é marcado pelo avanço das tecnologias, onde a máquina toma cada vez mais espaços e a relação entre as pessoas se torna cada vez mais superficial. Além disso, marcados pelo consumismo exacerbado, aspecto singular do sistema capitalista, as pessoas estão cada vez mais egocêntricas e individualistas.

As religiões nesse contexto adquirem um papel meramente de "fármaco"³ para as angústias e frustrações pessoais, raramente assumindo o papel de formadora de seres humanos conscientes. Sendo assim urge que as religiões, filhas da idéia ‘criacionista’ do mundo, que se auto-denominam representantes de Deus na terra resgatem esse cuidado, esse papel que nos foi atribuído.

A idéia de vida eterna, de paraíso após a morte que tanto é difundida pelas religiões cristãs, que é assimilada pelos crentes dessas religiões pela necessidade que têm de projetar algo além da vida, poderia fomentar o resgate do paraíso primeiro, aquele do Gênesis, que perdemos de vista depois de tanto olhar para o desconhecido que projetamos na pós-morte.

Esse ‘paraíso’ tão sonhado pela cristandade é a própria Terra que hoje clama pela vida. É a terra das desigualdades sociais, do consumismo inconsciente, de tantas guerras, de tantos pré-conceitos.

Não podemos recriar o ‘paraíso’, mas podemos transformar a realidade com a qual nos deparamos atualmente, seja enquanto indivíduos, como coletivos pelo meio ambiente, ou como parte integrante do meio natural. O que não podemos é tentar viver em função do que está para além da nossa realidade atual desconsiderando que a transcendência que nos garante maior aprendizado é aquela que se faz para transformar ou garantir o que nos é iminente, o que nos já é dado cotidianamente.

Que a nossa necessidade metafísica garanta as nossas utopias, mas que não nos faça fechar os olhos para a vida e para a realidade que nos rodeia e envolve.





¹ Relação entre teoria e prática.
² Ver: SCHOPENHAUER, Arthur. A Necessidade Metafísica, Ed. Itatiaia, Belo Horizonte - MG, Brasil. 1960.
"Por Metafísica entendo toda pretensão a conhecimento que busque ultrapassar o campo da experiência possível..." (Schopenhauer)
³ Do grego phármakon quer dizer veneno ou remédio, de acordo com a dosagem pode ser um ou outro.

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