Solipsismo da Cirandeira

Numa "metodologia" para aprender um passo de ciranda tem sempre alguém que diz assim: "avança dois, recua um...".
É na ciranda da vida que eu vou na roda,
sempre aprendiz do mesmo passo:
avanço dois, recuo um...
de vez em quando tropeço nas pernas e erro o passo:
avanço um, recuo dois...
e danço conforme o ritimo que a vida toca...
ás vezes lento, outras vezes rápido...
compassado ou descompassado...
alto ou baixo...
avanço dois, três ou quatro, recuo o tanto que puder...
mas não saio dessa roda que me lança
no mundo da dança que me acerta.

Ediane

Qualquer coisa de sentir



Ouvir, pensar e sentir: sentidos!

Qualquer Coisa (Caetano Veloso)

Esse papo já tá qualquer coisa
Você já tá pra lá de Marraqueche

Mexe
Qualquer coisa dentro, doida
Já qualquer coisa doida
Dentro mexe
Não se avexe não
Baião de dois
Deixe de manha, 'xe de manha, pois
Sem essa aranha! Sem essa aranha!
Sem essa, aranha!
Nem a sanha arranha o carro
Nem o sarro aranha a Espanha
Meça: Tamanha!
Meça: Tamanha!

Esse papo seu já tá de manhã.
Berro pelo aterro
Pelo desterro
Berro por seu berro
Pelo seu erro
Quero que você ganhe
Que você me apanhe.
Sou o seu bezerro
Gritando mamãe.
Esse papo meu tá qualquer
coisa
E você tá pra lá de Teerã

Desapego

O desapego não é fácil
Nenhuma vez nesse mundo
Foi tão desejavel chamar-se Raimundo:
Mas fácil é o meu cabeção!

* à Drummond.


Ediane Soares

Desnudo no vento...

Não tiro essa roupa de trapos,
Farrapos, tecidos de amor e acasos...
Meu acessório é descalço!
Renovo a esperança no guarda roupas do tempo
Desnudo no vento...
Não me calço, não me faço de vestido.
Prefiro ás manhãs que se vestem de sol
Minha grife é o vazio
Meu estilo é a leveza
E a beleza é esse meu, esse nosso lugar, talvez...
Perdoe se não posso me agasalhar de vestígios
Desculpe se meus pés cansados e inchados não querem se acomodar
Entre tiras de couro, borracha, veludo ou cetim...
Perdoe se por vezes me visto de mim.

Ediane Soares

Menin@s do mundo, uni-vos!