sábado, 19 de junho de 2010

Desapego na terceira pessoa do singular

Gênero feminino.



“...eles eram feios, mas tinham um quê de mistério os desenhosinhos... Eles tinham um quê.”

Ela saiu.
Pela madrugada trans tor nada e pelo acaso tangida.
Às margens de um século (XXI) igualmente trans tornado.
Aproximar-se do mistério era o seu mais ordinário vício.
(ela era ordinária como as folhas secas que caem das árvores mais floridas)
Ela quis tocar o mistério.
E como de costume não estipulava critério.
Era o caso.
Tocou o mistério e os seus etéreos pelos.
Seus cabelos presos.
E o corpo nu de um momento inteiro.
E como em fevereiro.
O tempo presenteou-a com uma quarta-feira ingrata.
E outras tantas (recentes e reminiscentes) datas.
Saiu por outras madrugadas.
O acaso omitindo-se negou-lhe um préstimo.
Cantarolou alguns hinos.
Riu de alguns meninos.
E ao lembrar do destino...
Partiu.
Perguntando-se: quantas noites serão necessárias para um novo mistério?
Lembrou que sobre essas coisas não se pergunta.
Calou-se.
E tomando a sua caneta imaginária mirou o céu.
E deslanchou no ar novas inautênticas palavras:

“virtualmente bagunceira, pessoalmente uma linda (e efêmera) descoberta”

- Sobre a velocidade da luz e a volatilidade do éter não se deve falar – concluiu – sobre o sem confins se cala.

5 comentários:

Lampejos disse...

o.o
"Aproximar-se do mistério era o seu mais ordinário vício."

Belo, mui belo!

aL disse...

vícios ordinários são bem mais viciantes, principalmente quando o mistério é a causa, o momento e a substância real das madrugadas 'viciosas'!

ui..

Inaê disse...

Mistérios, trans-tornos, canetas imaginárias, volaticidade...
composição mágica, real, linda...

Fernanda Rodrigues disse...

E quando esse desapego chega a ter que deixar pessoas em certas esquinas dessa cidade boêmia ao encontro de outras descobertas? Isso é o desapegar-se do outro. O outro é um mistério lindo!

Ediane Soares disse...

Fê,
Você prometeu que ia SEMPRE dirigir pra mim qdo fosse o caso... e sempre é! Tudo em nome da sustentabilidade... rsrsrs

Bjo, tbm te amo.