quinta-feira, 5 de junho de 2008

Incômodos interiores

Incômodos Interiores
(da opressão; das palavras)

“Liberdade e moralidade. Militância e apatia. Verdade e medo. Compaixão e desespero.”

Ás vezes a entonação de algumas palavras nos fazem refletir de maneira diferente. Assim, de acordo com a entonação do que pronunciamos podemos estar expressando a mesma coisa em sentido diferente. A cada momento é possível significar a mesma palavra em sentidos distintos.

Fazem, mais ou menos, dez anos, desde que ouvi, ou prestei atenção a algumas palavras chaves para o desenvolvimento da minha vida até aqui. Palavras como resistência, por exemplo. Ha dez anos, essa palavra soava, para mim com ecos de esperança, mudança, construção e principalmente transformação. Com o passar do tempo outras entonações foram ecoando e outros sentidos foram aparecendo: desconstrução, politização, mutirão, cultura e por aí vai.

E hoje? Hoje, particularmente, o leque de palavras para ressoar o termo resistência está mais restrito. Já não consigo mobilizar-me inteiramente diante de tal palavra se o sentido não abraçar a amplitude de conflitos, mudanças e perspectivas dos tempos atuais. Em tempos de apatia, a resistência precisa ser resguardada para não continuar sendo massacrada por desesperanças, vícios de linguagem e imediatismos baratos. Resistir, nesses tempos brancos e de mobilidade quase-estática, é semear ternura nos intervalos da opressão. A opressão que nos invade pelo silêncio apático e sombrio. A opressão que nos cala as palavras livres e nos impregnam de termos modais.

E nos tempos atuais...
Resistência é Ternura
Resistência é transmutação de valores
Resistência é um grito que reverbera mais que palavras: reverbera seres humanos livres!

Resistir em silêncio é compactuar com o barulho irritante da mídia e das outras faces dessa opressão.



Ediane Soares

Um comentário:

Wesley Alves disse...

Poetisa, como assíduo leitor, quero registrar meu desalento pela sua falta de atenção... imperdoável para uma mulher com sua invergadura intelectual. Resistir é forçar a existência contra a inexistencia, é não se deixar levar pelo apetite da revolução. As pessoas irresistíveis são assim porque pilham para si a existência alheia e, quem se deixa pilhar, de fato, não existe, ou melhor, é incapaz de resistir. Resitência não é um termo revolucionário, ou contrário, é um dos mais belos entes metafísicos: força originária de conservação da integridade do ser.

Bjo... minha poetisa