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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Confissão III



Da animalidade, pelos instintos, à intuição (que sinto, e muito).

Na cadência das noites
a glicose se embaraça
(corpo-de-açucar
mente-de-café
alma-de-aguardente)
e o colesterol conclui:

- O amor é uma invenção dos céticos que na falta de coragem de descrer criaram um pólo invisível entre aquilo que se tem e o que se deseja ter... Assim inauguraram a mais sublime versão do instinto de sobrevivência, pois é preciso animalizar-se para ser humana. E quem haverá (a verá) de ser (sê-la)?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Da apatia

Entre a nostalgia
e essas coisas
sem cabeça e sem pé
perguntaram se é.

Sem parar em acento
acenou para o vento
um suspiro...

Se existe uma tênue linha entre a abstração e a apatia, hoje eu rompi.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

do resto

À minha colega de trabalho Aninha
por tudo o que nos resta!

O resto
de tão imprestável
ficou pra depois
do depois
que depois de amanhã será
pois.

de tanto nada fazer
de tanto nada dizer
passou a querer
o depois
porque depois do depois
o resto
pois
existe...

e as coisas que ele faz
se é que isso existe
são apenas "prós" e "poréns"
mais além, são registros.

o resto é o resto de toda a contradição
o resto é o resto do resto da feira no final do mês
o resto do resto é o culpado da vez
o resto de tão distinto e indigesto
se desfez
o resto é o resto do que nunca ele fez.

ao resto toda a fulga!
aos restos, fadigas
sem contrapartidas
sem justa medida...
eis o resto: um freguês!

ao que reste "ad infinitum", amém.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Crenças

E de repente, ter esperança, parecia uma missão impossível. Ela, descrendo das soluções coletivas, apegava-se agora à crenças ingênuas. Sua individualidade escondia-se até mesmo da necessidade que ela tinha de pelo menos desfrutar de uma companhia por vez. Eis a crença: não estar só. Eis a ingenuidade: estar.

E nessas linhas seguiam verbos, transitos, transeuntes, chuvas, acasos, poesias, nostalgias, elegias, vazios, lembranças, andanças, prosopopéias e imaginações.

E a coisa que ela mais sentia era a sanidade mental que a sensação de acreditar proporcionava.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

"... a gente de girau"

Acabo de chegar de um velório.
A falecida, uma senhora de 99 anos de idade, morreu de velhice, disseram.
Morreu de tanta vida, eu sabia.
A senhora do caixão, que trabalhara a vida inteira de sol à sol; lata na cabeça; roupa para lavar no rio; cuidado com os filhos, os delas e alguns outros, pudera ser 'a madrinha', uma entre tantas outras Marias, que naquela tarde de ambiguidades jazia.

Na lembrança, rasa e dispersa, eu recordava o pretenso e marcante diálogo de quase todos os encontros:

- Minha filha já casou?
- Não tia, casei não...
- Pois num case não, minha filha, esses homens só querem é fazer a gente de girau!

Sábia Maria Paula! Sábia mulher... sabia do mundo e do cosmo o terço que lhe cabia.

(O girau)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Diz que me disse

E serão as coisas que não existem mais bonitas?
Me disseram que o Manuel de Barros disse.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Das primas

Estava dando uma "passeada" pelos blogs que costumo acompanhar e me deparei, em dois deles, com um tema bastante comentado nos últimos dias em vários espaços por onde passei. Me senti provocada, e então comentei, em um deles. Segue.


"Bravo! Me mata de orgulho...
Mas por falar em "primas", sempre que me deparo com esse tema lembro de alguém com quem convivemos na infância e que hoje exerce essa "profissão". No que pode se transformar um "sonho", uma aspiração adolescente por uma vida "boa", por um amor ideal?

Esse tema, de fato, é bastante delicado. É muito mais complexo do que se supõe, pois envolve inúmeras relações (juízos)de valores... envolve uma moral que vela a palavra para não ter que condenar ou absorver o ato. Para isentar-se. Se por um lado você tem as "casas das primas" ou "casas da luz vermelha", como ilustração de uma forma de "lazer" noturno para os consumidores desse serviço, por outro você tem o estigma da prostituição, da venda do corpo, da abnegação da subjetividade que pode envolver uma relação sexual em nome do dinheiro, que embora seja falado como fácil, de fácil mesmo não se sabe o que se tem. Enfim...

Um salve às prostitutas!" (in: http://edineudasoares.blogspot.com/2011/03/primas.html#comment-form)

- - -

Olhei também o da Fê: http://serafernanda.blogspot.com/2011/02/o-outro-lado-da-noite.html



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Para além da satisfação

Não se tratava de espanto, era a magia de ver-se encantada pela realidade mesma, o real em si, o fato. Tentava condensar aquela sensação de "tudo bem" com o friozinho na barriga de se ver todos os dias dos últimos meses, de beijar e querer beijar, de abraçar aconchegantemente, de desejar e fazer amor. Não estava impressionada com os acontecimentos dos últimos tempos. Tampouco a impressionava o desfecho que a vida proporcionara para esse momento; um começo de cliclos prometedores de coisas reais. E o melhor: é na realidade mesma, crua, objetiva e leve que a imaginação a servia das melhores ideias e conclusões. "Foi para ver a menina além do universo", e viu e versa.

Dois lindos meses de descobertas. Encontros. Medidas. Acertos. Comunicação. Prazer, para além da satisfação...

E o que conduzia a poesia que agora a acompanhava por dentro era a metáfora do que de fato importa. Saiu gritando para os mundos onde habitava o "ínterim" em questão:

- Razão e emoção, meu bem, habitam a mesma morada. Ocupam, na mesma morada, cômodos diferentes; entre elas há uma porta larga e alta, que se encontra sempre aberta. O trafego entre um lado e outro é livre. E a escolha por qualquer um dos lados é in-circunstancial. A questão é lembrar que, antes de passar de um lado para o outro, é preciso vestir-se de cuidado e empatia. Não se alojar em um dos dois esquecendo-se de visitar o outro lado vez por outra.

Sorriu.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Samba, amor...

Hoje é o dia nacional do samba. Data de aniversário do meu vozinho Nenem, a quem eu sempre vou amar... Segue a letra de um sambinha gostoso em homenagem a esse dia. Samba e amor. Porque um não vive sem o outro. Porque o samba é feito de amores... e os amores de batucadas! Viva o samba! Viva os amores...


Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente 'inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna, a nossa cama reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade. Que alarde!
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã.

(Chico)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

do quartinho

à fernanda rodrigues, pelos 25 anos

seguro a tua mão
vagino teu desejo
imagino-te e vejo
a des buro cratiz ação.

é na customização
que a carapuça já não serve
desejo-te o que se teme
ofereço o que não deve.

um poema
um esquema
um escudo (furado)
um papo perdido
um trans por te coletivo
um beijo apetecido
um chupão.

que desvele
que desmantele
que desconsidere
que desespere
que revele
que se rebele
que reverbere
por amor.

uma dose
uma certeza
uma beleza
uma clareza
uma chama acesa
à pagar...

gracejar
festejar
beber
morar
reconsiderar
desdenhar
voar
lampejar
soar
gozar
postergar
procrastinar
sambar.

sobre o que para você desejo
fica o meu sobejo
de raparigar...
pelo tempo que escorre
pela vida que morre
pelo bem que me faz...
sejamos sempre capazes de afagar
e afogar
esquartejar!

um quartinho todo seu, "minha querida"
uma lista infinita de intenções
de opiniões
(não conselhos)

"meu bem" irrita a vida, não pertença, viva!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

"Vou te contar"

E na Terra de Tom Jobim...

Sabe aquelas pessoas que você há tempos não via e outras que nunca pensou em conhecer?! Pois sim, vi, e conheci, nessa mesma ordem... muito queridas! Muito acolhedoras também...


Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho...
O resto é mar
É tudo que não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho...
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade...
Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver...
Vou te contar...

Tom, o Jobim.

* na foto: Eu, Euclícia e Marguê.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Paisagem

Barbalhidade. A cidade...

Quando pensava em paisagem,
de lembrança,
de cabeça,
lembrava-se de Barbalha,
a cidade verde do Cariri.

Pacata,
aconchegante,
pequena-grande.

De vários tons de verde,
serrotes,
paredes antigas...
e antigas paragens
foi tudo o que viu.

Barbalhidades
da cidade entre os nós... 

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Bom Conselho

"Ouça um bom conselho que eu lhe dou de graça: inútil dormir que a dor não passa... Espere sentado ou você se cansa, está provado, quem espera nunca alcança. Ouça, meu amigo, deixe esse regaço, brinque com meu fogo, venha se queimar. Faça como eu digo, faça como eu faço, aja duas vezes antes de pensar. Corro atrás do tempo, vim de não sei onde, devagar é que não se vai longe. Eu semeio o vento, na minha cidade, vou pra rua e bebo a tempestade... Eu semeio o vento na minha cidade vou pra rua e bebo a tempestade. Vou pra rua e bebo a tempestade! Vou pra rua e bebo a tempestade!"



Chico

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

do irreal

"E nessa insustentável leveza de ser, eu gosto mesmo é de vida real! Elevei minha alma pra passear... Elevei minha alma pra passear" (Nação, a Zumbi)


"de fato, se bem que, comigo, nem sempre passa, eu sempre fui meio afeita aos amores platônicos... mais que aos reais. Aquele lance do stendhal, de que os amores não vividos são muito mais intensos que os realizados, sabe? Sempre achei isso, eles decepcionam menos". (Povo, o Virtual)


"Um brinde ao irreal, eu diria... bem, acho que nem preciso dizer muito, tenho dito tanto! Né?!" (Eu, a Bocó)

domingo, 24 de outubro de 2010

Absinto

O amigo, um dos queridos, das noites, dos pares, das traças, caminhava pela rua livremente, passos de inocente, peso de quem sente. Ela que de passagem pala avenida ia, parou e o chamou pelo nome. Ele respondeu e correu como quem some. Ele sorriu. Ela seguiu.


Ela foi para o show que há dias a esperava. Foi sem muitas guias. Foi porque queria. Foi porque era de graça. A noite inteira procurou se distrair. Não concentrar-se em pensamentos. Não repetir lamentos. Não inferir lembranças que não fossem as mais leves daquele dia.

Durante o dito show, não levantou o pé. Mal piscava os olhos. E ouvia cada palavra cantada como o mesmo susto que sentia, quando sentia o que sentia. Verbalizou cada batida e afinou os compassos dos tambores aos das suas conclusões. A noite foi linda e regada de suor, lágrimas e sorrisos. Pura energia espalhada. Pura. Espalhada.

Depois do espasmo e alguns goles virados, sem expectativa de “encontrares”, insistia em continuar a contenda do que a envolvia. Tentada a roer mais um pouco (era quase uma rotina) seguiu os transeuntes que pretendiam esticar, e esticou.

Passou pelos bares e “bisbilhotecas” por onde a inspiração caminhara displicente. Bebeu alguma coisa, dançou mais um pouco, caminhou sem sufoco, madrugou. E ainda, contudo, compartilhou a última cerveja que beberia naquela noite com o caso do acaso, um ocaso a se contar. Sentiu-se livre. Esqueceria. Ela agora tinha a maresia à seu favor. E consolou-se, porque quando invertia as situações vinham as alegrias, concluiu.

Não lamentou, pois sabe que o outro nome do mar, rima com engano, e que hoje em dia (e desde sempre em muitas línguas) não precisamos sempre de uma vogal para a formação silábica, e que a Virgem Maria e a sua mãe, são profissões do Evangelho que não precisamos explicar, ou entender, ou aceitar, ou crer.

 - Abusinhos à parte, absinto, adoro tudo que me rende algumas poesias. Muitas. Muito queridas.


terça-feira, 19 de outubro de 2010

eis que sê-la

ou sobre "o outro nome do oceano", "a vogal do meio" e "a mãe de maria", a virgem.

vai minha tristeza... deixa espaço pra alegria!
essa moça não sabia da verdade de um olhar
não dê boa noite, esqueça meu bom dia
metade do meu susto vem da tua voz...

sai elegia!
confessa que é vadia, a veracidade anunciada no teu beijo-cumprimento, educação.

ah estranha de todos os locais e atalhos!
anti folia!
afoga o laço da noite em poesia
permita-me fazer desse enredo um outro blues
ou qualquer outra vontade de canção
qualquer coisa sem batuque
coração...

vai bandida!
vida,
deixa o tempo e a esfera atômica se apropriarem do meu segredo
revela, imagem por imagem
gesto após verso
diz pra ela se mandar!
vai sombra
vira escuridão
mesmo apagada me ofusca a visão.

sai hipermetropia!
deixa-me enxergar o vazio que só ela tem
não vou apontar um mísero defeito, não vejo
os conheço
não forçarei agir sobre aquilo que já perdi de antemão
a vergonha na cara, dela
a alcunha de cinderela
a macumba do amor, devoção.

vai novela!
deixa a vida real me encontrar
ficção
e acoberta a idéia concreta do sorriso bagunceiro
desconecta o virtual motivo tão faceiro
e inaugura uma nova oferenda para Iemanjá!
saravá, eis que sê-la
oxalá, deus assim queira,
minha alma dela desaconchegar!
sim, só pode ser aconchego
por que se fosse apego
não haveria de apertar.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

e nessa altura do campeonato...

- vá à puta que pariu!


- fui.

domingo, 17 de outubro de 2010

quase-amor

ah, o esquecimento!

esquecer é conter o senso de finitude e casualidade. não vejo motivos pulsantes querendo gritar a falta do teu nome. meus lábios já não penam diante da tua quase-boca ardente e sedenta por um bocejo. minha trilha sonora é o quase-silêncio do sussurro que inauguro quando tento passar por ti despercebida. minha ideia mais sensata é a quase-vontade de saltar de pára-quedas e então esvaziar a mente em queda livre e ausente de pensamentos sobre ti quando me chamas. quando em mim chamas.

não ando feito um louco a procurar refrões que agradem multidões de alguéns. não vou cantar aquela canção "me abrace bem devagar", porém...

eu tive tanta força para compartilhar com os teus sóis. te vi um tanto à força até conhecer teus lençóis.

sei, meu bem, sobre aquilo que eu não quis, nada do que foi quase-dito permaneceu intacto. saiba que eu não plantei o cacto do jardim da Ana, não concertei a bicicleta da Inaê, não soletrei o pacto dos blogs das Fernandas e nem tampouco lamentei acasos na companhia da Su. eu também não rabisquei a força de vontade daquela mulher pintada na parede perto de uma praça do Benfica.

ah! esquecer é desejar o excesso do que já não é. formigas trabalhando e cigarras cantando, é isso: a disputa mais clichê e a óbvia escolha por um partido. esquecer é não correr o quase-perigo de um amor mal dividido sem pressa de se materializar. esquecer é quase-perder o essencial das coisas que adormecem na pele nua das ruas. é a pena de morte das coisas cruas. é cozer o que só se pode consumir em vida plena e em atitude.


querer é saber-se mais, é amiúde ter. esquecer é o tempo querendo passar pelas brechas que os quase-poetas chamam de entrelinhas. eu chamo entretenimento. porque afinal de contas o que é o amor em seu quase-descabimento?

esquecer é disputar. com a consciência ausente do que o corpo pode aturar. com a pressa demente e a vontade de ficar. mas como aturar (-te) se por mim não passas de uma fagulha? sim, eu lamento, e se isso te consola saiba que para mim lamentar é preceder. aumento a cota de contradição. aumentar é prever. e prever é a condição. não ser, hoje, é mais que perceber.

esquecer é querer.

quero nas cores a pulsação de um sentido. cores não tem peso. sua forma está nas coisas pintadas. e se sob uma forma elas são, sob outras já eram. e é assim que deve ser. é assim que te quero. e eu quero. nesse instante quase-observar, em outro quase-reverberar teu se(io)r.

e no âmbito de "quase-nenhuma", desculpe-me se esqueci de falar das memórias, das lembranças e das nossas poucas recordações. é que a minha voz não tem o alcance dos teus ouvidos. e por vezes esqueci que você sabe ler e escrever. esqueci que você não entende o que se diz diretamente. por isso abstrações são possíveis entre os nós que inventei para nós, amor, abstrato, insensato, sem sentido, limbo, furor. e se agora, o já, é tarde demais... já não era nesse quase-amor.

O desejo

(...)

Conforto alucinante, tranquilidade na clareira do caos. O ponteiro, ele rodou mais rápido no mesmo relógio de ontem. O que as horas guardam nos espaços do contra-tempo? A mulher? Mulheres sombras bonitas e o sol dos desejos dos tios e dos avós. Muitas crianças bonitas chorando. E o desejo, o desejo, os desejos erros, e o desejo, o desejo, o desejo meigo. O desejo é um tempo parado. É quando se trocam as datas dos bichos e das flores. É quando aumenta a rachadura da velha parede. É quando se vira a folha, a folha da história. É quando se pinta um fio branco na cabeleira preta. É quando se endurece o rastro de sorriso no canto dos olhos. Eu sei que a viagem é longa. A voz vai e vem. Você ta aí? Você ta aí? Ei, voce est aí?

Vontade de abraçar o infinito...

(Otto & Lirinha)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Socorro

Socorro! Não estou sentindo nada. Nem medo, nem calor, nem fogo. Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir... Socorro! Alguma alma mesmo que penada me empreste suas penas. Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada... Socorro! Alguém me dê um coração, que esse já não bate nem apanha. Por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa! Qualquer coisa que se sinta... Tem tantos sentimentos deve ter algum que sirva... Socorro! Alguma rua que me dê sentido, em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada. Socorro! Eu já não sinto nada...


(Arnaldo Antunes/Alice Ruiz)