sábado, 31 de maio de 2008

Assintomática

Nem sei...
Deixe-me ver...
Sinto...
[hum]
Nada muito claro...
- Na verdade é tudo muito confuso porque não tenho conceitos nem parâmetros para saber o que cada palavra significa.
Amor...
Paixão...
Saudade...
São coisas que não sei se sinto
Porque não sei os "sintomas"...
[É terapia?]
Então...
Já tristeza,
Sinto... Sempre...
Solidão tem diminuído.
As lagrimas não são mais tão companheiras...
Mas ainda escorrem pelo rosto ensopando as minhas roupas
Inchando os meus olhos...
Às vezes sem motivos
Às vezes por um profundo sentimento de impotência diante do mundo catastrófico...
Acho que isso é fruto da grande crise espiritual, econômica - política - social e ambiental que vivemos.
Enfim somos feitos de energia materializada [?]

(Rebeca Raso)



Assintomática *

Teu sorriso menina - mulher
Tem neblina...

E entre essas nuvens que te rodeiam
Pragmatismo nenhum se desenvolveria...

Não és pragmática, és prática!
Praticamente ativa.

Não estais perdida
Estais viva entre vidas e vidas...

- O que determina o poeta é o sorriso!
Nenhum ruído, seja de dor ou prazer, precisa ser visto a olho nu...

Então,
Desnuda o que tu sentes
Dando sentido para o grande caos desse mundo
De crises e ourives...

Escreve, transgride, e liberta teu grito!


* Ediane Soares

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A Outra

"O Inferno são os outros... Qualquer que seja o círculo do inferno em que vivemos, penso que somos livres para quebrá-lo. E se as pessoas não o quebram, ainda assim permanecem livres e se colocam livremente no inferno." (Sartre)
.
A Outra

Não me julgue pelo que falo!
Não saiba de mim o que calo!
Sou seu inferno, entre outros.
Sou sua liberdade forçada.
Sou seu igual, diferentemente...
Cale-se sobre mim
Sou seu inferno, sou o outro!
Nada diga sobre mim
Sou seu inferno, sou a outra!


Veja mais: http://alemhomem.blogspot.com/

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Exortação

.
Minha obsessão pelas cores
É fruto de amores
Que ainda não vi.
Minha compaixão pelos mortos
É só pretexto e disfarce
Porque tenho medo da morte.
E a sua exortação ao equilíbrio
Não tem brilho
Não tem forma
Não tem jeito...

O senso comum aniquila
Minha admiração.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Todas as cores

.

Maurício (Legião Urbana)

Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu.
Até pensei que era mais por não saber
Que ainda sou capaz de acreditar.
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem.
Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Para algum país distante e
Voltar a ser feliz.
Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu
Se meu desejo então já se realizou
O que fazer depois
Pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim.


Todas as cores


Já não sei dizer...
Como na canção.
Nada sobre mim, sobre o tempo, sobre essas pernas que caminham lentamente.
Nada sobre os olhos
Nada sobre o desejo

A medicina
A anatomia...

Bem aventurado o silêncio travestido por palavras!
Bem aventuradas todas as cores
Das noites
Queridas...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Ardor

*
Arde
Fim de tarde
Ar de tarde
Ar de fim
Que arde

(Nenhum sentimento resiste a indubitável razão.
Nenhum sentimento resiste a frieza de um tratamento.
Nenhum sentimento.
Não o meu. Que é incipiente.)

Ar de fim de tarde
Do fim que arde
Do fim, do ar.
Da tarde...

terça-feira, 13 de maio de 2008

[Re] trato

Dizem que sou eu
Eu digo que são eles e elas que me vêem assim...
Me vejo de outros jeitos
Outros pesos
Outras palavras
Me vejo sem a imagem de mim
Pois só me enxergo no infinito que há em mim.

sábado, 10 de maio de 2008

A Língua das Mariposas


"Nesta brilhante obra dirigida pelo espanhol José Luis Cuerda, o tema principal é a inocência perdida. O filme se passa na Espanha, 1936, onde vive o pequeno Mocho (Manuel Lozano), um garoto de oito anos que não quer ir a escola temendo que seus professores batam nele. Através de seu professor e mestre exemplar, Don Gregório (Fernán Gomez) ele vai encontrar um mundo todo novo, aprendendo através da língua das mariposas." *



A Língua das Mariposas

Permita-me um pensamento
E eu falarei pela língua das mariposas
Para dizer que a liberdade negada
Pode ser o princípio de um sonho.
Mas não negue-me um sonho
Não tire de mim a capacidade de criar
E a nobreza de acreditar
Que os sonhos resistem à realidade.



* Fonte

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Paisagem

Sorria...
E esse barulho, esse mar, essa brisa
Fazem de mim o que eu mesma chamaria
Inata!
Porque eu já existia antes de você chegar
Mas eu não saberia de mim
Se não pudesse olhar teu sorriso.
Inata eu, inatos os meus desejos infantis...
Pegar na mão
Saber da noite
Olhar ao sol que sem desperdícios vai...
Como eu queria saber
Se eu poderia
Ter nessa vida mais que a imagem
E quem sabe até despertar
Esse sorriso e essa paisagem.
Ediane Soares
“... neste mundo em que me engajo, meus atos fazem os valores se erguerem como predizes: é por minha indignação que me é dado o antivalor ‘baixeza’, e, por minha admiração, o valor de ‘grandeza’.” (Sartre, J. P.)
.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Ágora

Ágora
(Leia-se casa
Leia-se teto
Leia-se mundo
E escreva-se nada.)

domingo, 4 de maio de 2008

Se cria

.
Caminha estrada
Envolve vento e água fria
Absorve tempo
Perde passos...

Nenhuma metáfora poderá explicar o que está explícito
Nenhuma liberdade será subtraída.
Se por acaso alguém perguntar pelo sentido
Diga que encontra-se perdido.
Já não faz citações entre aspas
Já não quer ser visto só
Nem procura companhia...

Se alguém lamentar, tenha dito,
Que palavra alguma nessa língua sem vogal faz sentido
Que eu e o poema temos vivido
Dando graças as circunstancias do impossível.

- Morrendo todo dia a gente se cria.
Substancia adjetivada
Concordância desencontrada
Verbo sem sujeito
Jeito sem pretérito perfeito...



Ediane Soares

Aforismo

..
Aforismo metafórico embrionário:

Em matéria de tempo e espaço sou ateu
E quando vejo os teus passos: sirvo a Zeus...
Eu me desfaço
E remeto-me ao fato: quem sou eu?




Ediane Soares