sábado, 26 de abril de 2008

Com[posição]

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Bom senso pode tornar-se veneno

Não quero viver da passividade de um vício.

Não tenho medo do escuro, trago comigo velas.
Não quero dominar o mundo com minhas próprias palavras...
Nem chegar ao final das contas com minhas próprias pernas.

Minha loucura é maior que qualquer subterfúgio involuntário
Minha loucura é opcional...







Ediane Soares

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Espectro da realização

Queria um bocado de terra
Para plantar meus sentidos
Para ver brotar-me em pedaços
Em frações de uma planta nova
Outra vida.
Queria, e ainda ouso querer,
Ver ao menos uma parte de mim
Gritar ao mundo
- Minha poesia é livre de mim, e por ela livre sou eu!
Queria, se ainda me fosse possível querer,
Sentir o calor das primeiras indignações
Diante das injustiças
Covardias
Desesperos
Omissões...
Queria uma pausa para ajeitar
O que me parece absurdo
Queria construir mais mundo
Mais humano
Mais honesto
Menos mentira
Menos moral
Sem tornar absoluto
O que é relativamente humano...
Quero mais que um sonho ou utopia
Uma realidade pensada
Vivida
Sentida
Realizada.


Ediane Soares

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Imperativos

Não mande a tristeza embora
Não fuja do tempo
Viva na idade da pedra

‘no meio do caminho’
Morra de tédio
Com a ingratidão dos filhos de Deus
E sejamos juntos amor
Franqueza, sutileza, e dor
Que a morte oxalá queira nos separar
Mas que no momento oportuno
Sejamos nós
A pausa e o movimento
O motivo e a causa primeira
Da coisa toda
Que acreditamos ser
Que escolhemos fazer
E ao que ousamos dizer não.

Ediane Soares

domingo, 13 de abril de 2008

Cafeína

Derramei café na minha mão direita
Enquanto testava a nova garrafa térmica...
Nenhuma dor é mais cortante que a dor de uma queimadura...
Nada como esquecer a dor
Para não enfatizar seu ardor e intensidade.
Uma máquina de escrever
Um copo d’água e uma xícara de café...
Alguém que diga bom dia
Uma imagem que inspire um poema
Vontade de sair no meio da tarde...
E tudo seria viável
Podendo até fazer algum sentido...
Mas na falta de consideração
Joga-se tudo pela janela
E derrama-se mais café quente
Na queimadura já cicatrizada...

Ediane Soares

Malabares ao vento...


Parece que o tempo voltou dessa vez.
Lembra quando a gente falava de um nada absoluto?
Nem parecia que ainda não conhecíamos “O Ser e o Nada”...
Você errava o desfecho dos nossos raciocínios mais lógicos
E eu achava engraçado estar ali para ver nossos sonhos serem pré-fabricados.
Ás vezes eu penso que fizemos o melhor de nós.
Durante três anos eu pensei que seria possível viver regularmente bem.
Que engraçado lembrar-me do que eu pensava!
Como é estranho acreditar que você viria.
Não tivemos primaveras memoráveis, nem planos para a eternidade...
Que vazio, hoje, ler você escrever on-line depois do meu cumprimento:
"- Faz tempo que a gente não conversa nem se vê. Sinto saudades das nossas conversas..."
Algum tempo depois...
Nada mais sutil para a poesia
Que o lamentar de uma nostalgia
Que não serve para nada, porquanto, enquanto era fato
Por si só servia-nos...
Não reparo Baby, mas
você não veio.

Ediane Soares

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Subversivo silêncio

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Gosto tanto de você
Que chega a doer de tanto gosto que faz
O abraço mais sentido
O beijo mais preciso
E o jeito mais 'déjà vu' de voar...
Gosto de poesia
Da noite, da madrugada
Gosto do dia
Com chuva
E ao sol de meio dia...
Gosto da idéia
E quem diria,
Da onomatopéia e da gíria...
Gosto do apetite
E mostro o meu tapete
Colorido e sutil
Tecido de palavras
Para você passar
E seja o que for, que ficar
Que seja por lembrar:
Que eu gosto tanto de você
Que chega até a doer de tanto gosto que faz...

Ediane Soares

terça-feira, 1 de abril de 2008

Desmonte

Quando digo eterno,
Amor
Não é do amor que digo...
É do que vejo.
Quando digo eterno, desdigo.
E no silêncio ensaio
O que poderia ter sido.

Ediane Soares