O que é 'é', o que não é 'não é '.
Parmênides que me perdoe, mas prefiro o contrário:
Quando o invólucro das aparências nos engana;
Quando a linguagem não está clara;
Quando a vontade em si, mais que potência, é ato.
Perdoe-me também Aristóteles; perdoem-me poetas clássicos, filósofos pragmáticos, crentes e ateus!
Perdoe-me o tempo por tão pouco apreço!
Eis que assumo minha conduta imoral, incerta e insatisfeita com as deliberações do pensamento reto, das causas 'justas', da hora 'certa'.
Transmutados todos os ponteiros deste instante
Quebrados os estabelecimentos e as regras
Já posso montar meu quadro:
Minha obra-prima maior que qualquer Concerto
Meu recomeço... de cada novo dia,
De cada espera, sempre em movimento.
Que as minhas palavras, sejam recusadas, negadas, refutadas, xingadas, mal faladas, pouco amadas... ou não, pela ambigüidade que me for permitida ter.
São apenas palavras.
Elas são fazem parte do todo que amortece minhas perdas e danos;
Elas não correspondem à linguagem que está impregnada em mim;
Elas são finitudes do meu corpo presente...
Elas não são aquilo que está além do meu ser;
Elas não são o nada, e só podem nadificar-se por mim,
Elas são apenas em si, e para mim, não para si mesmas...
Ediane Soares
quinta-feira, 27 de março de 2008
domingo, 23 de março de 2008
Recurso à dúvida
quinta-feira, 13 de março de 2008
Em tempos de espera
Em tempos de esperaUm ponto final
Cai bem.
Mas cai
Meu bem.
Em tempos de espera:
A modernidade.
E ha muito
A verdade
Não diz.
Em tempos de espera
A espera
Inda impera (ponto).
O que será de nós
Nessa esfera?
* * *
Olhando a imagem acima comecei a pensar no que estariam fazendo os dois ali sentados... aparentemente estão fazendo nada. E imaginei-me ali, no meio deles dois. E comecei a me perguntar: o que eu estaria fazendo se estivesse ali? Conclui que 'nada' não seria. Mas seria o que?
- Estaria esperando. É isso: esperando...
Porque enquanto eu puder escolher um verbo escolherei 'esperar' e quando nada mais restar para fazer, esperarei.
Estamos o tempo todo esperando. E a espera só não é mais sublime que a consciência dela.
Ediane Soares, [esperando...]
sexta-feira, 7 de março de 2008
e por falar em amor...
Música Ambiente (Legião Urbana)
Se um dia fores embora
Te amarei bem mais do que esta hora
Me lembrarei de tudo que eu não disse
E de quando havia tudo que existe
Quando choramos abraçados
E caminhamos lado a lado
Por favor amor me acredite
Não há palavras para explicar o que eu sinto
Mesmo que tenhamos planejado
Um caminho diferente
Tenho mais do que eu preciso
Estar contigo é o bastante
Certas coisas de todo dia
Nos trazem a alegria
De caminhamos juntos lado a lado por amor
E quando eu for embora
Não, não chore por mim.
* * *
Tenho ouvido essa música, nas últimas semanas, quase que diariamente. Além de ter uma melodia muito envolvente, a letra é de uma ousadia poética que só pessoas com a sensibilidade do Renato Russo poderiam desfrutar. Falar de amor com palavras desse mundo, sem atribuir ás palavras seu puro sentido semântico: coisa de poeta. É assim que eu quero falar de amor. Como algo que transcende o entendimento comum. Como algo que não passa pelo senso comum. Quer seja romântico, intelectual, carnal, divino... não importa o conceito, quero falar de amor como uma construção "sem-fins-lucrativos". Como algo apenas. Pronto, é isso: Quero falar de amor como algo, e não do amor sendo algo para que já se tenha dado função, sentido, e conclusão...
E por falar em amor... "por favor amor me acredite, não há palavras pra explicar o que eu sinto..."
Ediane Soares
Se um dia fores embora
Te amarei bem mais do que esta hora
Me lembrarei de tudo que eu não disse
E de quando havia tudo que existe
Quando choramos abraçados
E caminhamos lado a lado
Por favor amor me acredite
Não há palavras para explicar o que eu sinto
Mesmo que tenhamos planejado
Um caminho diferente
Tenho mais do que eu preciso
Estar contigo é o bastante
Certas coisas de todo dia
Nos trazem a alegria
De caminhamos juntos lado a lado por amor
E quando eu for embora
Não, não chore por mim.
* * *
Tenho ouvido essa música, nas últimas semanas, quase que diariamente. Além de ter uma melodia muito envolvente, a letra é de uma ousadia poética que só pessoas com a sensibilidade do Renato Russo poderiam desfrutar. Falar de amor com palavras desse mundo, sem atribuir ás palavras seu puro sentido semântico: coisa de poeta. É assim que eu quero falar de amor. Como algo que transcende o entendimento comum. Como algo que não passa pelo senso comum. Quer seja romântico, intelectual, carnal, divino... não importa o conceito, quero falar de amor como uma construção "sem-fins-lucrativos". Como algo apenas. Pronto, é isso: Quero falar de amor como algo, e não do amor sendo algo para que já se tenha dado função, sentido, e conclusão...
E por falar em amor... "por favor amor me acredite, não há palavras pra explicar o que eu sinto..."
Ediane Soares
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