sábado, 8 de setembro de 2007

Das muletas

Pouco sei sobre metáforas. Na verdade até sei alguma coisa, mas não sei dizê-las claramente. Talvez até saiba dizer um pouco, mas não posso perceber. Não hoje. As palavras vão surgindo em forma de poesia, enquanto espero a sugestão que pedi (de um poema) para minha inspiração. Enquanto espero vou desenhando na minha mente (cansada) os meus rascunhos de sempre. Eles, os rascunhos, são tão comuns. São tão meus. Mas eu não consigo terminá-los, pois quando penso que os conclui, surge um poema. É um ciclo vicioso de poesias novas que dizem coisas velhas, pelos meus rascunhos. É uma rotina poética. É uma rapsódia do meu todo poético... Vou conversando com meus pré-supostos, antes da poesia sair da cabeça para o papel. E juntos concluímos, metaforicamente, que para minhas palavras eu preciso de muletas novas.

Ediane Soares

domingo, 2 de setembro de 2007

Mordaça

Diga-me uma palavra.
E outra.
Mais outra.
Até que no mundo não exista palavra alguma que não tenha sido dita.
Palavras são disfarces para o silêncio.
Empresta-me o teu silêncio pra eu te dizer o que vejo.
Pra te dizer do meu desejo de partir...
Eu calo.
E na calada da noite ensaio um verso.
Será um poema resguardando um novo sonho...
Será uma conspiração silenciosa de emoções...
Será.
Não é.
Um dia isso acaba.
Um dia eu escrevo a verdade.
Um dia eu rompo essa mordaça.
Um dia eu grito reverberando minha alma!

Ediane Soares